Construir prisões no Brasil não tem sido uma tarefa fácil para os responsáveis. Os projetos de prisões federais encontram protestos de alguns governadores porque tais locais devem abrigar sempre os criminosos mais perigosos do país. O mesmo argumento de alguns governadores é utilizado pelos prefeitos, que também não aceitam presídios estaduais, e esse jogo de empurra impede que a sociedade se proteja da bandidagem que, muitas vezes, se encontra solta por falta de penitenciárias para o cumprimento de suas penas. No entanto, não há uma só voz que defenda a possibilidade de termos presídios de segurança máxima em regiões de baixa ou de nenhuma densidade populacional. Por que os cidadãos de bem são obrigados a um convívio que não lhes dá qualquer segurança quando há presídios próximos a grandes cidades ou de regiões populosas? Além do perigo permanente, áreas localizadas nas imediações de casas prisionais são desvalorizadas, trazendo prejuízos econômicos para o patrimônio de quem optou por um investimento imobiliário quando tais estabelecimentos sequer eram projetos penitenciários. Se os governos (federal e estaduais) apenas perguntassem aos cidadãos numa consulta popular qual o local ideal para a construção de presídios, certamente teriam como resposta o óbvio: que sejam em locais inóspitos, situados em muitas áreas deste imenso país. Está na hora de uma decisão corajosa para o Brasil ter penitenciárias de segurança máxima na Amazônia, no Pantanal ou em locais em que não haja nenhum município num raio de 100 quilômetros. Como nossa referência para presídios de segurança máxima tem sido os Estados Unidos, é de lá que poderemos trazer a experiência deste conceito tão aviltado por aqui. As prisões de segurança máxima nos EUA são isoladas porque os detentos são perigosos e devem ser mantidos fora de qualquer possibilidade de fuga. No Brasil, as penitenciárias similares se transformaram em escritórios dos criminosos trancafiados e o uso de telefones celulares não pode ser bloqueado pelas razões mais diversas. Há quem se utilize da argumentação baseada nos direitos humanos dos presos, os quais necessitam de visitas íntimas, advogados e familiares, logo não podem ficar isolados do mundo. A pena de isolamento vale somente para as vítimas desses criminosos. Os que perderam algum ente querido pela ação da bandidagem ficam condenados na prisão perpétua da lembrança de quem se foi pelas ações nefastas, mas ai de quem exigir algo semelhante para bandidos irrecuperáveis.
Prisões made in USA (I)
Hoje, a prisão mais famosa dos EUA é a do Condado de Maricopa, no Arizona, pelo comportamento do sherife, Joe Arpaio, que estabeleceu as regras para seus prisioneiros. A prisão está localizada no deserto e as celas são barracas militares e lá estão presos (homens e mulheres, em áreas separadas) com penas inferiores a um ano. Uma enorme cerca de arame farpado mantém o isolamento dos apenados e o calor, no verão, é sufocante, quase sempre chegando aos 40 graus. O sherife já está em seu quarto mandato, cuja função é semelhante ao de chefe de Polícia, sendo eleito pela popularidade que desfruta pelos métodos aplicados na prisão do deserto.
Prisões made in USA (II)
Joe Arpaio fez as regras de sua prisão. É proibido fumar, partes do uniforme prisional são cor-de-rosa (meias, cuecas e bermudas), televisão só em canais de desenho animado, programas de culinárias e previsão do tempo. Este último, segundo Arpaio, “é para os detentos saberem a temperatura durante o dia quando estiverem prestando serviço na comunidade”. Parte da remuneração recebida pelos trabalhos serve para o pagamento das refeições, ao preço de 40 centavos de dólar, cada. “Nossos soldados, no Iraque, vivem em tendas semelhantes, usam fardamento, equipamento militar, não cometeram crime algum e defendem a pátria. Portanto, calem a boca e parem de reclamar”, diz o sherife quando os presos pedem melhor tratamento.
Prisões suíças (I)
Bem diferente da prisão de Maricopa é a penitenciária de Witzwil, no cantão de Berna, Suíça. Localizada no campo (naqueles campos suíços que servem de ilustração de calendários), a prisão já foi chamada, num debate no Parlamento, de “hotel cinco estrelas”. Os presos cumprem ali o resto de suas penas, depois de não serem mais considerados “perigosos”. Todos trabalham na própria prisão, uma fazenda de 825 hectares, com criação de porcos, aves, plantações de batata, pomares e gado leiteiro, que produz quase 1 milhão de litros de leite por ano.
Prisões suíças (II)
A prisão de Witzwil oferece piscina, quadras de esporte e terapia. O diretor, Hans-Rudolf, se apresenta como um empresário e amigo de quem cumpre pena e ele entende que a sua prisão é um local que prepara o detento para uma vida fora do crime. Há cursos profissionalizantes, nos quais são oferecidas 26 modalidades, com diploma, para o preso-aluno. Hans-Rudolf já dirigiu uma escola suíça, em Bogotá, e foi oficial-instrutor em uma divisão de tanques do Exército de seu país. Fugas existem, mas 95% dos presos são capturados, e aí eles voltam para o sistema fechado.
Correio do Povo, edição de 15 de novembro de 2009.